Setembro Amarelo
Quando cuidar da saúde mental também é cuidar da vida
9/13/20264 min read
Esse mês é marcado pelo início da primavera e também traz à tona um tema muito importante através da campanha do Setembro Amarelo. Ela busca ampliar a conscientização sobre Saúde Mental e prevenção do suicídio. Mais do que isso, esse período nos convida a falar sobre um assunto que ainda é cercado por silêncio, medo e preconceitos: o sofrimento emocional.
Falar sobre saúde mental é falar sobre pessoas, histórias, perdas, mudanças, dificuldades, sentimentos e também sobre os momentos em que a vida parece mais pesada do que conseguimos suportar.
E, muitas vezes, cuidar começa justamente quando conseguimos falar sobre aquilo que estamos sentindo.
Saúde mental faz parte da saúde.
Durante muito tempo, saúde foi entendida principalmente como a ausência de doenças físicas. Hoje sabemos que o nosso bem-estar é muito mais amplo.
Sono, alimentação, relacionamentos, trabalho, condições de vida, emoções e saúde física estão profundamente conectados. Ansiedade, tristeza, estresse, solidão e outros sofrimentos emocionais podem afetar o corpo, assim como uma doença física pode impactar nossa saúde emocional.
Por isso, cuidar da saúde mental não significa apenas procurar ajuda quando algo já está muito difícil. Significa também aprender a reconhecer nossos limites, olhar para nossas emoções e buscar cuidado quando percebemos que algo não está bem.
Nem todo sofrimento é visível.
Uma das dificuldades quando falamos sobre saúde mental é que nem sempre conseguimos perceber quando alguém está sofrendo.
Uma pessoa pode continuar trabalhando, estudando, cuidando dos filhos, encontrando amigos e mantendo sua rotina enquanto enfrenta uma grande dor emocional.
Por isso, não devemos esperar que alguém “pare de funcionar” para levar seu sofrimento a sério.
Mudanças persistentes de comportamento, isolamento, perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas, alterações importantes no sono ou no apetite, sentimentos de desesperança, culpa ou inutilidade e falas relacionadas à morte ou a não querer mais viver merecem atenção.
Esses sinais não significam, sozinhos, que uma pessoa esteja pensando em suicídio. Mas podem indicar que ela está precisando de acolhimento e, em alguns casos, de avaliação profissional.
Como podemos ajudar alguém que está sofrendo?
Muitas pessoas têm medo de conversar sobre sofrimento emocional por receio de dizer algo errado. Mas, na maioria das vezes, não é necessário ter uma resposta pronta.
Estar disponível para ouvir já pode ser muito importante.
Algumas atitudes podem ajudar:
Escolha um momento tranquilo para conversar.
Demonstre preocupação de forma sincera e sem julgamentos.
Escute mais do que tente oferecer soluções.
Evite frases como “isso é falta de força”, “você precisa pensar positivo” ou “existem pessoas com problemas maiores”.
Incentive a busca por ajuda profissional quando perceber que a pessoa está sofrendo.
Continue presente. Às vezes, uma única conversa não é suficiente.
Perguntar diretamente se alguém está pensando em se machucar ou em tirar a própria vida não coloca essa ideia na cabeça da pessoa. Pelo contrário: uma conversa cuidadosa pode abrir espaço para que ela fale sobre algo que talvez estivesse enfrentando sozinha.
E quando é hora de procurar ajuda?
Não precisamos esperar chegar ao limite para buscar cuidado.
Se sentimentos como tristeza, ansiedade, medo, irritabilidade ou desânimo estão interferindo na rotina, nos relacionamentos, no trabalho, nos estudos ou no sono, conversar com um profissional pode ser um primeiro passo importante.
O médico de família e comunidade também pode fazer parte desse cuidado. Por acompanhar a pessoa de forma integral e ao longo do tempo, pode ajudar a compreender o contexto daquele sofrimento, avaliar a saúde como um todo, identificar situações que precisam de atenção e, quando necessário, construir junto com o paciente um plano de cuidado ou encaminhá-lo para outros profissionais.
Buscar ajuda não significa que você não é forte o suficiente para enfrentar determinada situação. Significa reconhecer que ninguém precisa lidar com tudo sozinho.
Quando existe risco imediato
Quando uma pessoa manifesta intenção de tirar a própria vida, fala sobre um plano, apresenta comportamento de despedida ou está em uma situação de risco imediato, é importante não deixá-la sozinha e procurar atendimento de urgência.
No Brasil, o CVV (Centro de Valorização da Vida) oferece apoio emocional pelo telefone 188, de forma gratuita, 24 horas por dia.
Em situações de emergência, procure um serviço de pronto atendimento ou acione o SAMU pelo 192.
Setembro Amarelo é sobre falar, mas também sobre escutar
A prevenção do suicídio não depende de uma única conversa, de uma campanha ou de uma profissão. Ela envolve família, amigos, profissionais de saúde, escolas, locais de trabalho e toda a sociedade.
Mais do que perguntar “você está bem?”, talvez seja importante aprendermos a permanecer por perto quando a resposta for “não”.
Que o Setembro Amarelo nos lembre que cuidar da saúde mental é parte do cuidado com a saúde como um todo. Que possamos falar mais sobre sofrimento sem julgamentos, ouvir com mais atenção e reconhecer que pedir ajuda é, também, uma forma de coragem.
E, principalmente, que ninguém precise enfrentar sua dor em silêncio.
Se você está passando por um momento difícil, procure ajuda. Falar sobre o que sentimos pode ser o primeiro passo para começar a cuidar.
